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Uma foto compartilhada em um grupo de WhatsApp ou Telegram, rostos conhecidos que reaparecem em diferentes feiras, uma mensagem sobre um sensor que lembra a necessidade de um cliente ou uma tecnologia que pode interessar a um parceiro. Nos últimos meses, publicações nas redes sociais e conversas entre profissionais da indústria revelaram uma movimentação que vai além dos números de visitantes e negócios: pessoas circulando entre diferentes polos industriais, compartilhando experiências, descobertas e oportunidades de colaboração.
A Hannover Messe, realizada em abril, na Alemanha, com o Brasil como país parceiro, e a FEIMEC, em maio, em São Paulo, estiveram entre os grandes encontros de uma agenda que seguiu movimentada ao longo de 2026. Entre agosto e outubro, essa circulação de profissionais e empresas passou por feiras, congressos e encontros técnicos em polos industriais de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul. Entre demonstrações de máquinas, apresentações técnicas e conversas de corredor, esses eventos aproximaram quem desenvolve soluções de quem enfrenta os desafios da produção.
Agora, com a Mercopar 2026, realizada de 20 a 23 de outubro, em Caxias do Sul (RS), a agenda de grandes feiras industriais do Sul entra em sua reta final. Com 545 expositores, 50 startups e mais de 280 horas de conteúdo, o evento movimenta um dos principais polos metalmecânicos do país e oferece um gancho para revisitar os encontros que marcaram os últimos meses. Mais do que apresentar tecnologias e gerar negócios, essa movimentação evidencia como a troca de conhecimento, os relacionamentos profissionais e as experiências presenciais contribuem para fortalecer o ecossistema de inovação industrial.
A partir dos encontros acompanhados nesta reportagem, das entrevistas com representantes do setor e das programações dos eventos, destacamos alguns dos temas que movimentaram as discussões sobre tecnologia, inovação e desenvolvimento industrial no segundo semestre:
Joinville (SC) recebeu dois importantes encontros da indústria de transformação no segundo semestre. Em agosto, a Interplast 2026 reuniu fabricantes de máquinas, fornecedores de matérias-primas, ferramentarias e empresas de automação. Em setembro, a cidade sediou a primeira edição da Interform, especializada em tecnologias de corte, conformação, soldagem, usinagem, ferramentais e automação.
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Os dois eventos, organizados pela Messe Brasil, contaram com o Grupo CIMM como parceiro oficial de mídia, combinando exposição de tecnologias, programação técnica e oportunidades de relacionamento entre empresas.
Para Richard Spirandelli, diretor da Messe Brasil, o contato presencial continua sendo importante para as decisões de investimento industrial.
“Uma feira industrial permite que o profissional saia da análise teórica e veja a tecnologia funcionando, converse diretamente com quem a desenvolveu e compare diferentes soluções em poucos dias”, afirma Spirandelli, ao comentar os resultados da Interplast.
A feira recebeu profissionais de 25 estados brasileiros e 35 países, com mais de 40% dos visitantes provenientes de fora de Santa Catarina. A programação incluiu 35 workshops de expositores, o Congresso Brasileiro do Plástico e encontros técnicos sobre automação, inteligência artificial, metrologia, materiais, reciclagem e economia circular.
Já a primeira edição da Interform reuniu 100 expositores e cerca de 6 mil profissionais, com estimativa de R$ 160 milhões em negócios potenciais nos 12 meses seguintes, segundo a organização.
A inteligência artificial ganhou destaque na programação, com uma plenária que recebeu mais de 500 participantes para discutir aplicações da tecnologia na indústria.
Entre os visitantes, Bruno Pereira, comprador da Franklin Electric, destacou a oportunidade de conhecer experiências de outras empresas. “Uma das palestras que assisti trouxe a reflexão que é necessário olhar mais para os nossos problemas e analisar onde o uso da IA faz sentido e traz resultados”, relatou.
Essa aproximação entre tecnologia e aplicação prática também esteve presente no GROB Experience 2026, realizado de 22 a 24 de setembro, na fábrica da B. GROB do Brasil, em São Bernardo do Campo (SP).
No formato open house, o encontro reuniu fabricantes de máquinas, fornecedores de ferramentas, integradores e usuários finais em uma programação com demonstrações de usinagem, apresentações técnicas e visitas à planta industrial.
Entre as empresas participantes esteve a ISCAR do Brasil, patrocinadora do evento e parceira de longa data da GROB.
“A principal demanda é aumento de produtividade, e essa é mesmo a melhor forma de reduzir custos de usinagem”, afirma Marcos Silva, gerente de Marketing da ISCAR.
Segundo o executivo, as conversas com os clientes envolveram preocupações com o preço do metal duro, melhorias em operações específicas de usinagem, desenvolvimento de soluções especiais e demandas por treinamento técnico e sistemas de gestão de ferramentas.
Silva também destaca a integração entre dados de máquinas e ferramentas de corte como uma tendência para apoiar decisões e ajustes nos processos produtivos.
Além dos encontros voltados à apresentação de tecnologias, o segundo semestre também abriu espaço para a troca de experiências entre empresas que enfrentam problemas semelhantes.
Foi o caso do HarboR Sum+it 2026, realizado nos dias 20 e 21 de agosto, em Florianópolis (SC). O evento reuniu mais de 200 participantes, entre representantes de indústrias, parceiros e especialistas, com apresentações de casos desenvolvidos nas próprias fábricas.
Segundo Paulo Narciso Filho, CEO da Harbor, a proposta é priorizar experiências que possam ser replicadas ou adaptadas por outras empresas.
Embora transformação digital, qualidade, produtividade e inteligência artificial estivessem presentes na programação, foram os desafios relacionados às pessoas que ganharam destaque. Nas 19 rodas de conversa realizadas durante o encontro, dificuldades para recrutar, desenvolver e reter profissionais apareceram em praticamente todos os grupos.
As discussões também abordaram a preservação do conhecimento operacional diante da rotatividade e a necessidade de desenvolver processos mais fáceis de ensinar.
“Não é que todo mundo sai de lá com soluções prontas, mas sai com mais repertório, mais coisas diferentes para tentar, para aprender uns com os outros, com pessoas e empresas que estão em uma situação parecida”, explica Paulo.
O executivo relaciona a dinâmica do Summit à experiência que teve no Brazilian Indtechs in Germany (BiG), programa de internacionalização de empresas brasileiras de tecnologia industrial. Segundo ele, a convivência entre empresas com desafios semelhantes, mas soluções diferentes, inspirou o formato das rodas de conversa.
Outra demanda identificada no encontro foi por capacitação prática em inteligência artificial, especialmente para compreender onde e como aplicar a tecnologia no cotidiano industrial.
A movimentação do ecossistema de inovação industrial também encontrou espaço no Startup Summit 2026, realizado entre 26 e 28 de agosto, em Florianópolis.
Promovido pelo Sebrae em parceria com a Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), o evento reuniu mais de 11 mil participantes, aproximadamente 3 mil startups e representantes de 150 fundos de investimento e venture capital.
Entre os destaques esteve a QualityStorm, indtech paranaense vencedora do Prêmio Sebrae Startups 2026 com uma plataforma voltada à digitalização e automação do controle de qualidade industrial.
A empresa integrou o BiG, programa idealizado por Claudio Goldbach, CEO da Bcome.global, que conta com o apoio de mídia do Canal Indústria 4.0, do Grupo CIMM.
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Para Goldbach, a conquista tem um significado especial para as indtechs, que desenvolvem soluções para outras empresas e tradicionalmente enfrentam mais dificuldades para conquistar visibilidade do que startups voltadas diretamente ao consumidor.
Na avaliação do conselheiro de inovação, o reconhecimento de uma tecnologia destinada ao controle de qualidade industrial evidencia não apenas a maturidade dessas empresas, mas também sua evolução na capacidade de comunicar o valor de suas soluções. Esse amadurecimento, segundo ele, também aparece nas trajetórias de MA.IA Solutions e Melvin, participantes do BiG e finalistas do Prêmio Sebrae Startups.
Em entrevista ao Grupo CIMM, Brahim Neto, fundador da QualityStorm, explicou que a plataforma nasceu de uma dificuldade identificada dentro de uma indústria: o uso de checklists em papel para registrar inspeções de produtos de alto valor agregado.
A dificuldade não estava apenas no volume de documentos, mas na falta de informações confiáveis para rastrear as verificações realizadas. A solução evoluiu da digitalização dos registros para a integração com instrumentos de medição e, posteriormente, para o uso de inteligência artificial e visão computacional na inspeção visual e padronização das avaliações.
Apesar do reconhecimento e do avanço comercial da empresa, Brahim destaca que a adoção de novas tecnologias ainda encontra obstáculos nas fábricas.
“Existe ainda uma aversão a esse risco, mesmo quando você consegue provar o ROI”, afirma, referindo-se à resistência de algumas indústrias a mudanças que afetam diretamente suas operações.
O desafio relatado pelo empreendedor reforça a importância de aproximar desenvolvedores de tecnologia e profissionais da indústria. Para empresas como a QualityStorm, o acesso ao mercado envolve não apenas demonstrar resultados, mas também construir confiança para que as soluções sejam incorporadas aos processos produtivos.
Enquanto Joinville recebia a Interplast e Florianópolis sediava o Startup Summit, o Paraná realizou a primeira edição da Expo+Indústria 2026, de 25 a 27 de agosto, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
Promovida pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), com correalização de Sesi, Senai e IEL, a feira reuniu tecnologias, fornecedores e instituições em uma programação voltada à produtividade e à transformação industrial.
A participação do Senai Paraná destacou a conexão entre inovação tecnológica e formação profissional. Ao longo dos três dias, o espaço da instituição recebeu mais de 5.900 visitantes, com demonstrações de inteligência artificial, gêmeos digitais, visão computacional, robótica colaborativa, cibersegurança e redes industriais.
Entre os responsáveis pelas apresentações estavam estudantes que utilizam essas tecnologias em sua formação, como Ana Júlia da Rocha Silva, medalhista de ouro na etapa estadual da WorldSkills na ocupação Indústria 4.0. Ela apresentou a plataforma SMART 4.0, um ambiente didático que integra tecnologias utilizadas na indústria contemporânea.
A iniciativa ampliou as oportunidades de contato entre estudantes, especialistas e profissionais da indústria, colocando a formação técnica entre os temas da agenda industrial de agosto.
Além desses encontros, a agenda de eventos do Portal CIMM registrou outras iniciativas do segundo semestre, com diferentes portes e especialidades.
Entre elas estão a MEC SHOW 2026, na Serra (ES); o Tooling Seminar 2026, em Joinville (SC) e Vinhedo (SP); a ABM Week 10 e o 10º Fórum de Manufatura, em São Paulo (SP); o Fórum IA & Lean, em Curitiba (PR); o XXVIII Colóquio de Usinagem, em Goiânia (GO); e a Futurecom, em São Paulo (SP).
De grandes feiras a encontros especializados em processos produtivos, tecnologias e gestão, a diversidade da programação reforça o papel desses ambientes na circulação de conhecimento técnico, na construção de parcerias e no desenvolvimento do ecossistema de inovação industrial.
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