Notícias
A manufatura brasileira voltou a crescer, ampliou investimentos e conta com uma agenda consistente de reindustrialização, mas continua enfrentando obstáculos históricos que limitam sua competitividade. É o que mostra o Infor Reports 2026 - Inovação na Manufatura, estudo que analisou o contexto macroeconômico da indústria nacional a partir do diagnóstico de mais de 38 fontes nacionais e internacionais, além da opinião de especialistas no setor.
Ao mesmo tempo em que responde por 24,7% do Produto Interno Bruto (PIB), concentra 68,7% das exportações de bens e serviços e representa 66,8% dos investimentos empresariais em pesquisa e desenvolvimento, a indústria ainda convive com um conjunto de entraves que geram perdas estimadas em R$ 1,7 trilhão por ano para a economia brasileira, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
“O Brasil possui uma base industrial relevante, capacidade produtiva instalada, recursos naturais estratégicos e um mercado consumidor expressivo. O desafio não está na falta de potencial, mas na capacidade de transformar essas vantagens em ganhos consistentes de produtividade, inovação e competitividade”, avalia Waldir Bertolino, vice-presidente e country manager da Infor Brasil e South Latam.
Outros indicadores ajudam a ilustrar essa dualidade. De um lado, a indústria cresceu 0,6% em 2025, consolidando uma trajetória de recuperação iniciada em 2023. Em 2024, aliás, o setor havia registrado expansão de 3,4%, o terceiro melhor resultado dos últimos quinze anos. Os segmentos de bens de consumo duráveis e bens intermediários lideraram o desempenho, com altas de 2,5% e 1,5%, respectivamente.
Na contramão desse processo, o país continua convivendo com o chamado Custo Brasil, conjunto de entraves relacionados à burocracia, infraestrutura, insegurança jurídica, logística e acesso a crédito, que, em conjunto, representam um desperdício anual estimado em R$ 1,7 trilhão, valor equivalente a cerca de 19,5% do PIB nacional (MDIC).
Continua depois da publicidade |
Na avaliação de Roberto Borges, diretor financeiro e administrativo da Colson Rodas e Rodízios, esses entraves afetam diretamente a operação das empresas industriais. “Infraestrutura deficiente eleva frete, aumenta tempo de entrega, amplia estoques de segurança e reduz a confiabilidade da cadeia. Na tributação, o efeito é duplo: há custo administrativo para lidar com a complexidade e distorção econômica na formação de preços e decisões de investimento. Esse conjunto pressiona o custo de produção, reduz a margem e frequentemente obriga a empresa a repassar preço ou perder competitividade”, afirma.
Para 64% dos empresários ouvidos pela pesquisa, o impacto do Custo Brasil aumentou nos últimos três anos. Entre os principais obstáculos apontados aparecem a complexidade tributária, mencionada por 70% dos entrevistados, a falta de mão de obra qualificada, citada por 62%, e as dificuldades de financiamento decorrentes do acesso restrito ao crédito, lembradas por 27%.
Para superar esses gargalos, é positivo observar o início de uma agenda de reindustrialização mais consistente que ganhou força nos últimos anos, dizem especialistas. Um dos principais exemplos é a Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial lançada em 2024 que já acumula R$ 3,4 trilhões em investimentos contratados e contribuiu para uma expansão de 3,1% da produção industrial nacional.
“A transformação, cultural e digital da indústria brasileira, depende, sem dúvidas, da combinação entre investimento produtivo, qualificação profissional e disrupção tecnológica. São elementos que precisam avançar simultaneamente para gerar resultados duradouros”, comenta Waldir.
Essa agenda se torna ainda mais relevante diante das mudanças que vêm redefinindo o perfil da manufatura global. Segundo dados compilados na pesquisa, por exemplo, o Brasil precisará qualificar 14 milhões de trabalhadores entre 2025 e 2027 para atender às novas demandas da indústria, especialmente em áreas ligadas à automação, digitalização e tecnologias emergentes.
Ao mesmo tempo, 73% das grandes indústrias já possuem planos de investimento produtivo, demonstrando que o setor privado também está conduzindo esforços internos para a sua modernização.
“A próxima etapa da revolução industrial brasileira será cada vez mais orientada por dados, automação e inteligência artificial. Mas a tecnologia, sozinha, não resolve os gargalos do mercado. Ela precisa estar conectada a pessoas capacitadas, processos gerenciais atualizados e uma estratégia de longo prazo que una poder público, empresas e universidades em prol do crescimento”, acrescenta Waldir.
Para a Infor, o Brasil reúne hoje condições importantes para avançar rumo a uma indústria mais competitiva. A questão central será transformar esse potencial em produtividade, conectando investimentos, formação e inovação dentro de uma agenda, de fato, contínua de desenvolvimento.
*Imagem de capa: Depositphotos.com
Gostou? Então compartilhe:
Faça seu login
Ainda não é cadastrado?
Cadastre-se como Pessoa física ou Empresa
