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Consumo de máquinas e equipamentos cai 12,5% até julho, aponta Abimaq

Demanda doméstica segue pressionada pelos juros, enquanto importados já representam 47,4% do consumo nacional

O consumo aparente de máquinas e equipamentos no Brasil acumulou queda de 12,5% entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, segundo os Indicadores Conjunturais da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), divulgados no início do mês.

Em julho, o consumo chegou a R$ 34,62 bilhões, alta de 1,9% frente a junho. Na comparação com julho de 2025, porém, houve retração de 5,3%, quarto resultado negativo consecutivo nessa base.

A receita líquida total do setor somou R$ 24,44 bilhões em julho, avanço de 0,7% sobre junho, com ajuste sazonal, e queda de 8,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado de janeiro a julho, a retração foi de 12,9%.

No mercado doméstico, a receita acumulou queda de 15,3%. Segundo a Abimaq, o desempenho reflete os efeitos da política monetária restritiva sobre as decisões de investimento. Em agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, mas a associação avalia que o nível dos juros ainda encarece o financiamento de estoques, capital de giro e aquisição de bens de capital.

Exportações avançam no acumulado

As exportações de máquinas e equipamentos atingiram US$ 1,13 bilhão em julho, alta de 4,2% sobre junho. No acumulado dos sete primeiros meses do ano, cresceram 8,4% frente a 2025, embora tenham recuado 10,9% na comparação entre julho deste ano e julho do ano passado.

Os Estados Unidos permaneceram como principal destino, com US$ 1,89 bilhão exportados entre janeiro e julho. As vendas para a Argentina caíram 11,4%, para US$ 804 milhões, enquanto Singapura registrou avanço de 145,1%, alcançando US$ 550,7 milhões, puxado principalmente pelo setor de petróleo e equipamentos navais.


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Entre os segmentos, as exportações de máquinas para Infraestrutura e Indústria de Base cresceram 29,4%, e as de Componentes, 18,9%. Máquinas para Bens de Consumo registraram queda de 8,9%.

Importados ganham participação no mercado

As importações somaram US$ 2,95 bilhões em julho, com altas de 3,3% sobre junho e de 2,1% frente a julho de 2025. No acumulado do ano, cresceram 3,7%.

A participação dos equipamentos importados no consumo aparente nacional passou de 45,7% para 47,4% entre janeiro e julho de 2025 e o mesmo período de 2026.

A China ampliou sua presença nesse movimento. As importações brasileiras de máquinas e equipamentos chineses cresceram 16,9% no ano, para US$ 6,95 bilhões, e a participação do país no total importado subiu de 32,1% para 36,2%.

Já as importações provenientes dos demais fornecedores recuaram 2,6%. As compras dos Estados Unidos caíram 1,7%, enquanto as originadas da Alemanha diminuíram 3,3%.

Emprego recua em julho

O número de trabalhadores do setor caiu 0,6% em julho, para 413.849 pessoas, e ficou 2,6% abaixo de julho de 2025. No acumulado do ano, o emprego ainda registra alta de 0,4%.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) passou de 77,5% em junho para 78,4% em julho, enquanto a carteira de pedidos recuou de 9,6 para 9,4 semanas.

Para a Abimaq, os indicadores até julho mostram que o setor segue em um cenário de baixo dinamismo, com o investimento produtivo doméstico pressionado pelos juros e avanço da participação dos equipamentos importados no mercado brasileiro.

*Imagem de capa: Depositphotos.com