Logogrupocimm-fundoescuro
Medium_claudio-grossi-selo
Cláudio Grossi    |   29/07/2026   |   Porque cada movimento importa   |  

Engenharia de componentes avança para reduzir falhas de máquinas no campo

Exclusiva

Dentro das máquinas que operam no campo, componentes mecânicos também passam por uma evolução tecnológica

A inovação no agronegócio tem avançado para além da conectividade, da automação e da agricultura de precisão. Dentro das máquinas que operam no campo, componentes mecânicos como rolamentos, vedações, correntes e sistemas de lubrificação também passam por uma evolução tecnológica voltada a um dos principais desafios do setor: manter os equipamentos em funcionamento durante os períodos mais intensos da safra.

Plantadeiras, colhedoras, tratores, pulverizadores e implementos agrícolas operam sob condições severas. Poeira, lama, palhada, umidade, cargas elevadas, desalinhamentos e contato com fertilizantes são alguns dos fatores capazes de acelerar o desgaste dos componentes e provocar falhas prematuras.

O problema torna-se ainda mais crítico durante os períodos de plantio e colheita, quando uma parada não programada pode interromper o ritmo da operação, elevar os custos de manutenção e comprometer a produtividade.

Como essas atividades dependem de condições climáticas e ocorrem em períodos limitados, a indisponibilidade de uma máquina pode gerar impactos em toda a cadeia produtiva.

Nesse cenário, a engenharia aplicada aos componentes internos dos equipamentos ganha peso estratégico. O desenvolvimento das soluções parte da análise das condições de uso, dos níveis de contaminação, das cargas suportadas e dos principais modos de falha encontrados em cada operação.

Proteção contra contaminantes nas plantadeiras

Nas plantadeiras, discos de corte, discos de sementes, rodas limitadoras e rodas cobridoras trabalham em contato direto com o solo, a palhada e os resíduos vegetais. Essas condições exigem componentes capazes de impedir a entrada de partículas e preservar o funcionamento dos mecanismos internos.

Um dos avanços está no uso de conjuntos integrados de cubo, rolamento e vedação. Ao reunir diferentes elementos em uma única solução, esses componentes buscam ampliar a proteção contra contaminantes, facilitar a instalação e reduzir a necessidade de intervenções frequentes.


Continua depois da publicidade


Os rolamentos voltados ao plantio também têm ganhado espaço no mercado de reposição. A disponibilidade de modelos compatíveis com equipamentos de diferentes fabricantes permite que produtores, oficinas e revendas realizem manutenções preventivas e corretivas com maior agilidade.

Essa cadeia de abastecimento é particularmente importante nos períodos de maior atividade. Quando uma peça precisa ser substituída, a rapidez no acesso ao componente adequado pode determinar quanto tempo a máquina permanecerá parada.

Vedações reforçadas contra lama, poeira e umidade

As vedações agrícolas também têm recebido novos desenhos, materiais e configurações. Entre as tecnologias utilizadas estão estruturas do tipo mudblock ou cassete, formadas por múltiplas barreiras de proteção contra a entrada de lama, poeira, água e outras impurezas.

Essas soluções podem ser aplicadas em sistemas como rodas de tratores e eixos de tomada de força, que operam em contato frequente com ambientes contaminados. A finalidade é preservar os rolamentos, o lubrificante e as superfícies metálicas localizadas no interior dos equipamentos.

A contaminação está entre os fatores que mais contribuem para a redução da vida útil de rolamentos e sistemas mecânicos agrícolas. Quando partículas sólidas ou umidade ultrapassam a vedação, podem alterar as propriedades do lubrificante, aumentar o atrito e provocar desgaste nas superfícies de contato.

A presença de fertilizantes e outros insumos representa um desafio adicional. Além da contaminação por resíduos, determinadas substâncias podem acelerar processos de oxidação e corrosão. Por isso, componentes utilizados nessas aplicações podem receber revestimentos e tratamentos específicos para ampliar sua resistência.

Colhedoras exigem componentes para diferentes etapas

Nas colhedoras, a complexidade dos sistemas amplia a necessidade de componentes desenvolvidos para aplicações específicas. Os rolamentos estão presentes no embocador, no eixo batedor, no rotor, no ventilador, na peneira, no picador, no elevador e no descarregador de grãos.

Esses mecanismos são os que compõem o processo de funcionamento da colheitadeira, desde a entrada do material na máquina até os processos de separação, limpeza, transporte e descarga da produção. Uma falha em qualquer desses pontos pode afetar o desempenho geral do equipamento.

Rolamentos Y de esferas e unidades com sistemas próprios de fixação são utilizados em plataformas, mecanismos de transmissão, tubos de descarga e sistemas internos de movimentação. Esses componentes precisam suportar variações de carga, contaminação e determinados níveis de desalinhamento estático.

Rolamentos de rolos cônicos também são empregados em tratores, colhedoras, rodas, eixos de transmissão e pontas de eixo. Nessas aplicações, a geometria interna, o desenho dos rolos, os materiais e os tratamentos térmicos são dimensionados para suportar as condições de operação encontradas no campo.

*Imagem de capa: Depositphotos.com

O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.
Claudio-grossi-selo

Cláudio Grossi

Engenheiro Mecânico e Master Business Administration em Gestão de Negócios | Atua há 29 anos no segmento de rolamentos em clientes industriais e automotivos | Atualmente Coordenador de Engenharia de Aplicação na SKF do Brasil