Logogrupocimm-fundoescuro
Medium_cemrio_brand_full_hrz_rgb
Carlos Eduardo Baptista    |   14/10/2025   |   Indústria Metalmecânica - RJ   |  

Brasil x Governança Criminal

Exclusiva

Entre 50,6 e 61,6 milhões de cidadãos (de 23% a 28% da população brasileira) vivem sob a governança do crime

Em recente estudo de pesquisadores de Ciências Políticas de universidades americanas sobre governança do crime na América Latina, abrangendo seus 18 países, 14% dos entrevistados relataram que grupos e organizações criminosas locais garantem a ordem e/ou reduzem a criminalidade em suas comunidades.

Essa governança criminal tem consequências enormes. Para os governados, ela pode ser simultaneamente eficaz e aterrorizante, garantindo a ordem cotidiana e os direitos de propriedade às custas da liberdade de movimento e de outros direitos. Em comunidades por toda a América Latina, organizações criminosas fornecem, além da ordem e segurança básicas, as normas comunitárias para as eleições, o policiamento e o acesso a serviços públicos.

A ponderação por população dos países produz estimativas regionais preocupantes e reforça o sinal de alerta para a usurpação do poder do Estado por facções ou grupos criminosos: entre 52% e 58% dos latino-americanos convivem com a presença de grupos criminosos (PRESENÇA CRIMINAL), e entre 12% e 16% (77 a 101 milhões) vivem sob GOVERNANÇA CRIMINAL.

O Brasil mereceu um escrutínio particular, dado seu status de exceção e seu tamanho. Suas poderosas facções prisionais, lideradas pelo PCC, espalharam-se pelas periferias urbanas de todos os estados, onde são conhecidas por dominar os moradores e conquistar a lealdade deles para que os protejam quando ocorrerem batidas policiais. Essa abordagem de “corações e mentes” foi explicitamente adotada pela quadrilha Comando Vermelho quando tomou conta das favelas do Rio de Janeiro na década de 1980.

Dos números apresentados nesse estudo, entre 50,6 e 61,6 milhões de cidadãos (de 23% a 28% da população brasileira) vivem sob a governança do crime.


Continua depois da publicidade


O Brasil continua parado em berço esplêndido através dos seus poderes. Somente o Congresso Nacional (Deputados Federais e Senadores) e a Presidência da República podem legislar em matéria penal. A indolência em atualizar a Lei Antiterrorismo para enquadrar essas facções criminosas como grupos terroristas — que portam e usam diariamente armas de guerra, aterrorizando os cidadãos e enfrentando o poder do Estado — causa espanto e indignação.

Pequenos empresários e empreendedores são frequentemente extorquidos e intimidados a pagar proteção para não terem suas instalações depredadas ou incendiadas, ou ainda assassinados como demonstração de força — paga ou morre.

Em algum momento, essa expansão terrorista, que hoje já opera empresarialmente, emparedará o Estado brasileiro. A retomada dos territórios ocupados atualmente pelas facções, que já não se limitam mais às “comunidades”, tomando bairros urbanizados e densamente povoados, não será tarefa fácil. Essa indolência em enfrentar a expansão terrorista terá como consequência uma luta contra o terrorismo de longa duração e grandes perdas para o país.

Temos hoje estados brasileiros em situação crítica de segurança em várias regiões do país. No nosso Congresso Nacional, há deputados e senadores que poderiam tomar a iniciativa de reformular a Lei Antiterrorismo em defesa de seus estados.

Deputados Federais – 513
i. Sul e Sudeste – 256
ii. Norte e Nordeste – 216
iii. Centro-Oeste – 41

Senadores – 81 (Pacto Federativo)
i. Sul e Sudeste – 21, sendo:
ii. Sul – (9) Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina
iii. Sudeste – (12) Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo
iv. Norte e Nordeste – 48, sendo:
v. Norte – (21) Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins
vi. Nordeste – (27) Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe
vii. Centro-Oeste – 12 (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso)

Falta apenas pressão dos eleitores sobre seus candidatos e vontade política dos eleitos.

*Imagem de capa: Depositphotos.com

O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.
Tópicos:
Cemrio_brand_full_hrz_rgb

Carlos Eduardo Baptista

Presidente do CEM Rio

Indústria Metalmecânica - RJ

CEM RIO – CENTRO EMPRESARIAL DAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO

O SINMETAL – Sindicato das Indústrias Metalúrgicas no Município do Rio de Janeiro foi fundado em 09 de setembro de 1937. Sua História é de glórias! Apesar das várias transformações vividas ao longo de sua existência, pode-se afirmar, pela leitura de seus arquivos, que é verdadeira fonte da História Industrial Brasileira e até hoje, mesmo diante dos momentos mais difíceis, das crises econômicas, políticas e sociais que o Brasil e o Rio de Janeiro sofreram, nestes 86 anos de sua existência, os princípios que nortearam a Entidade sempre foram os da transparência, da ética e de muita luta em busca de uma economia estável, da geração de renda e emprego, do crescimento industrial, do bem-estar social e do fortalecimento das empresas, independentemente do seu tamanho, faturamento ou condição econômica.

Em 2021 o SINMETAL criou o CEM RIO, um Comitê Empresarial referência para interação dos negócios no Rio de Janeiro, agindo como um fórum de discussões, sugestões e busca de soluções para o segmento.

Em 2022, o Comitê passou a ser considerado como um Centro Empresarial e o nome CEM RIO – CENTRO EMPRESARIAL DAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO foi aprovado para constar do Estatuto da Entidade como seu nome de marca. Na prática, portanto, será conhecido como CEM RIO e dele poderão participar empresas metalúrgicas e outras que exerçam atividades afins ou com interesses similares, que desejarem participar do CEM RIO.

Assim todas as atividades sociais serão conduzidas pelo CEM RIO, um nome que nasceu forte, um Centro que reúne empresários com o objetivo principal de fortalecer as micros, pequenas, médias e grandes empresas.